Escolha
Em um vídeo curto de Instagram Rita Von Hunty fala sobre o “rami rami do possível” em relacionamentos. Este é um dos meus vídeos preferidos da internet.
O “rami rami do possível” fala sobre nos lembrarmos que um relacionamento não é buffet self-service, uma lista de itens em que você seleciona o que quer, mas a escolha de ficar com alguém que fará coisas que não gostamos porque o que gostamos é mais importante. Sobre a escolha de ficar com alguém e negociar acordos constantes para que a coisa dê certo, ainda que imperfeita.
Escolha
Semana passada falava com um moço – eu havia dito que o ano de 2025 estava encerrado e que novas inscrições seriam abertas apenas no ano que vem, mas o “gatinho” apareceu – sobre as relações modernas “líquidas”, o “fico, mas não mostro”, o “sair com várias pessoas porque o outro pode ser melhor”.
Enquanto falava me veio uma velha história à cabeça, de quando a Carol era minúscula e a diretora da escolinha explicava aos pais de primeira viagem que deveríamos oferecer duas opções de roupa pela manhã para a criança que estava aprendendo a escolher, evitando a ansiedade que aquela criança sentiria caso ela tivesse de escolher uma roupa entre todas que ela tinha no guarda-roupa.
Porque todas as demais seriam “não escolhas”.
A história me veio à cabeça enquanto eu falava do quanto eu ficava inconformada ao ver pessoas com relacionamentos de meses, anos até, que não tinham sequer uma foto com a pessoa que gostava em seu Instagram.
A associação entre as duas coisas caiu sobre mim: a dificuldade de lidar com as “não escolhas”.
Ao mostrar que escolheu alguém, seja em uma foto na rede social, seja ao não sair com outros, a pessoa mantém-se “no mercado”, no “não é nada sério”. Talvez na esperança de que doa menos se acabar, talvez porque não seja capaz de escolher mesmo.
Sim, sou de uma geração em que relações começavam e acabavam publicamente, mas o público era muito menor. Era nosso grupo de amigos, colegas de escola ou trabalho, nossa família. Não só começavam e acabavam de forma pública como era comum dias depois os protagonistas de duas histórias de amor diferentes se tornarem personagens principais de uma nova história e o grupo todo continuar junto nessa nova dinâmica.
Dar errado não era atestado de incompetência, não era alvo de julgamento. Fazia parte do amadurecimento, da tentativa e erro do aprendizado. Nem todo mundo lidava com a dor e frustração do término da melhor maneira, mas todos lidávamos.
Escolha
Ontem me peguei chorando horrores ao ver um trecho de uma entrevista com a atriz Debora Secco. Nesse trecho ela falava sobre como hoje ela se escolhe e como em todas as suas relações ela nunca foi escolhida.
Lembro de ter escrito o mesmo, nunca ter sido escolhida, mais de uma vez no meu recém começado diário – essa que tem sido uma experiência muito boa, inclusive – e o quanto me doeu na primeira vez em que percebi isso.
Hoje é essa minha exigência número 1 em minhas tentativas de relacionamento: preciso me sentir escolhida. Como me sinto em cada gesto dos amigos que me amam tanto.
E muito provavelmente por isso tenho tanta dificuldade em entender a forma moderna de se relacionar.
Continuo esperando alguém que não me esqueça na correria do dia, que mande mensagem só porque teve vontade. Que seja presença, mesmo sem me ver sempre, nem sempre perto, mas próximo. E que não ache que publicar uma foto juntos vai causar o final do mundo ou que significa que ficaremos juntos para sempre.
P.S. “Gatinho” apareceu para mim no Bumble aos 45” do segundo tempo. Ele havia curtido meu perfil e curti de volta sem saber se queria mesmo. Após o match deixei ali esperando, as 24 horas se passaram e não puxei papo. Acabei reconectando após o prazo e resolvi dar um “oi”. Um papo enorme e divertido se seguiu. Migramos para o WhatsApp e em uma brincadeira boba surgiu o apelido “gatinho”, uma piada interna.
Os dois disseram ter gostado muito do primeiro encontro. Quarta passada não voltei para casa, só fui chegar na quinta, e ainda perdi um treino. Se chegaremos à temporada 2026 da minha Sex And The City Particular? Se ele me escolher, sim.

Opa, 2025 ainda não acabou, hahaha! O último relacionamento sério que tive (há séculos) terminou justamente porque eu não me sentia escolhida. Não que eu tivesse nomeado isso na época, mas lendo seu texto ficou claro pra mim agora.
Olha, essas pessoas que resolvem aparecer aos 45 do segundo tempo arriscam ficar muito tempo na sua vida… Por aqui, a praguinha chegou em um 29 de Dezembro e lá se vão 25 anos…